Quando os beijos desejam e os corpos não dançam mais com tanta perfeição.


O som estava tocando no meu coração naquela noite em que te vi, cada olhar foi um tom melódico que ecoava em seqüência aos meus ouvidos. Mas ponderada junto ao meu coração - se o que sentia vinha de ti para mim, pensei no calor desalinhado do nosso corpo em várias noites, que contigo emaranhei. Acordei do pensamento acelerado e incessante, como vulto incrédulo que me direcionou ao pasmo por alguns instantes. Entre pulsar e sentir, esperei... Todos os passos inebriados seus em minha direção, era à sombra de júbilo que meu ser respirava pelo desejo de apenas unir.
Finalmente, os corpos já explodindo, se fizeram únicos. Você me beijava como se fosse à única noite possível de encontros, e eu me continha em insignificantes explicações. E o som quase nítido aos tímpanos nos embalava no enroscar das nossas línguas carregadas de prazer, desejo e sentimento.
E tudo isso, partiu pela curiosidade de lhe questionar a única dúvida calada daquela noite - quando peguei no seu braço, para decifrar apenas um equívoco que me torturava, e na dinâmica entre a distância da minha boca e o seu ouvido, você apenas me deu o rosto, que sem necessidade de muito esforço, calou minha pergunta com um beijo quase dilacerado pelo meu incontido anseio. Você me tomou nos braços, agarrou meus cabelos, prensou sua boca na minha e a partir dali as luzes da minha cabeça se apagaram completamente – não era som que me faltava, era a sensação que nada estava ausente.
Sem desejar que aqueles poucos minutos se esvaíssem, lembrei sem querer do relógio que despertava na razão, do lado esquerdo da cabeça e do coração e que já me fazia recordar que um dia me disseras, que já não mais me amava, e estava ali por algum motivo que não era nada mais os mesmos.
Sendo assim, acordei e descobri que isso também não precisa ser denominado desejo. E finalmente a hipótese deixou de ser nula e floresceu num novo dia, que corpos só perpetuam enquanto corpos únicos, quando desejo não acaba em ambos.

2 comentários:

Isa Lorena disse...

ai, ai...

Flávia disse...

Desejo é uma coisa complicada e simples ao mesmo tempo... depende de como a gente encara o momento, né?

Beijos!

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SEM CENSURA...SE JOGUE!