"Quando Fevereiro chegar, saudade já não mata a gente..."


Tenho falado bastante nos meus últimos post sobre festa de aniversário. Claro, que existe um motivo simples para todo esse movimento - meu aniversario, que está chegando, e será dia 16 de Fevereiro.
Nasci nas vésperas do Carnaval e entre minha relação de amor e ódio com a mesma, fui vivendo. Por um lado tive que suportar não ter tido festa de aniversário quando criança, e a única conclusão que poderia ter chegado é por ser na época mais agitada do ano, e para minha felicidade saber que a festa que come no centro mesmo, é Carnaval, no período mais agitado do ano. Fevereiro, verão, carnaval e férias.
Tive que conviver com essa realidade durante 29 anos, claro que amigos, ex namorado e primos já fizeram festas surpresas para mim e não posso negar que odiava. Nunca gostei de surpresas, não sei por que, não lido de forma legal com as mesmas. E não me pergunte exatamente por quê?! Somos um código ambulante de vivencias e só deciframos ao longo da nossa maturidade.
Mas, me lembro como hoje, quando passava mais um verão na ilha, deveria ter uns 09 anos na época que ocorreu esse fato. Voltava de um dos meus mergulhos da praia enquanto meus pais estavam no bar do Tio Messias. Eu era fã do suco de maracujá do tio Messias. Aí, perguntei: - Meu pai posso beber mais um suco? – E ele respondeu: Você pode beber hoje quantos você quiser? Sem entender o porquê de tanta bondade – e não que meu pai não seja uma pessoa boa, muito pelo contrário, , perguntei obviamente porque poderia beber a barraca toda. Ai meu pai respondeu que naquele dia o porquê - era o meu aniversário.
No momento fiquei refletindo, quantos sucos eu beberia naquela tarde de praia, e sobre o aniversário, não tinha significado pensar, não tinha importância.
Como uma criança de 09 anos poderia relacionar a doação ilimitada de sucos de maracujá ao seu aniversário se a festa era algo que não se tinha em casa, exceto no dia do Caruru que minha mãe faz todo ano.
Criança só contextualiza as coisas quando relacionadas à prática. Como ensinar a criança a importância de uma data, se ela nunca tinha vivenciado a o dia do seu nascimento. Acredito muito que meus avôs foram os grandes responsáveis por essa falta, e meus pais também nunca tinham tido festa de aniversário feito pelos mesmos, até porque a família era muito grande e pobre, tanto da parte de pai quanto da parte de mãe, e bem natural que não se consiga agir diferente.
Quando cresci, aniversário se tornou algo chato, sem graça e me enclausurei numa redoma de verdades e elucubrações e questionamentos intermináveis, só meus, sobre a minha impaciência, meu mau humor que surgia de mim, sem saber por quê. Parecia que com o tempo à medida que iria amadurecendo, mas chata eu ficava em relação ao meu aniversário. As pessoas me perguntavam o porque, e eu não sabia responder. Até que um dia, a cabeça da gente se monta como um quebra-cabeça.
Mas agora aos pré 30, eu acredito que o importante é a frase de Jean Paul Sartre: “Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você.” Logo, meu povo, sinto dizer, vai rolar festa de 30 aninhos, em comemoração a nova fase, novo ciclo e aos sucos de Tio Messias e principalmente ao meu dia!

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