
Não me lembro da ultima vez que me questionei tanto sobre o modo de vida das pessoas, no que se refere à condição financeira. Todas as vezes que volto da faculdade para casa e depois da casa para o trabalho, me questiono e tento adquirir respostas para comportamento cada dia mais evidentes aos longos dos meus 29 anos, também não é a toa que decidi seguir a área de humanas, mesmo que já esteja iniciando um processo de questionamento seriíssimo sobre outra possibilidade de profissão.
Enfim, voltemos ao assunto... O numero de pedintes e vendedores ambulantes na rua têm aumentado significativamente, ou será que sou a única que me questiono em relação a esse fato. É literalmente um pedaço de pano estirado na calçada, ou alguns pedaços de paus troncho e desengonçado com um pedaço de pano para garantir apreciação da mercadoria em todo o percurso do comércio do inicio ao fim. Sem contar, o numero de pedintes, guarda carros, limpadores de vidro, catadores de lixo e etc. O numero de desempregados na nossa cidade é gritante. Eu me lembro bem, num passado não muito longínquo, algumas cenas em jornal de catadores de lixo no aterro, agora, não precisamos assistir na TV, em alguns bairros esse ato é muito comum. Não estou negando que a miséria já é assunto bem antigo, mas, estou enfatizando que a miséria está crescendo. Poderia alguém me dizer qual a teoria que abarca essa desgraça que estamos vivendo... São filas e mais filas de pessoas desempregadas todos os dias em busca de uma única oportunidade de emprego e que desejam a troca da sua força de trabalho por um pedaço de papel, revertido por alimentos de sustento, inicialmente.. São inúmeras barracas montadas no começo da manha e desmontadas no final da tarde... Barraquinhas de sapato, de roupas, de relógios, de lanche, de antenas, cortador de legumes, bolsas, óculos, carteiras, DVDs, panos, chocolates... As pessoas continuam se reinventando a todo o momento para minimizar seus sofrimentos, luta constante pelas necessidades básicas e sobrevivência às adversidades, que se apresentam como reflexos de fatos bem maiores, ora pela nossa ignorância de não saber a quem recorrer, ora pela nossa impossibilidade de recorrer.
E têm gente que ainda se queixa!?!?!?
2 comentários:
Essa desgraça - falta de graça literalmente - que estamos vivendo, ainda que medianamente endinheirados (porque somos parte de uma minoria e isso é fato), se deve ao capitalismo desenfreado ao qual estamos imersos. Um desequilíbrio capitalista já previsto há muito; Um crescimento populacional também previsto e um inchaço mercantil difícil de dar conta. agora, os garis somos todos. Vivemos de catar aqui e alí o que nos convém, aproveitando, como vis consumistas, o que nos é oferecido nesses pedaços de panos expostos, captados pelo seu olhar atento.
As soluções são várias, mas falta iniciativa pública e privada para isso. Em contrapartida, somos todos culpados, como já dizia o Gregório de Matos: "Todos somos ruins, todos perversos. Só nos distingue o vício e a virtude de que uns são comensais, outros adversos".
Salvador metrópole, soterrada de vendedores, de gente que, autônoma, luta pra amanter-se viva.
É isso aí companheira. Capitalismo selvagem na veia, sem vasilina.
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Ô Cris, não tá fácil não né? Difícil p mim é segurar meus impulsos e não chorar com alguns casos q vejo na rua! Eu e emeu coração de manteiga!!!
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SEM CENSURA...SE JOGUE!