
Cheiro do ralo é um filme magnífico com detalhes riquíssimos para analises psicanalítica sobre a condição humana. O filme conta a historia de Lourenço, vivido pelo extraordinário Selton Mello, dono de uma loja que compra objetos usados, e que para o mesmo não tem valor posterior. Tudo têm preço, inclusive as pessoas. É uma porção satisfatória de sadismo, com pitadas sutis e controversas de reflexões realizadas a cerca dos valores das coisas, inclusive o valor imaterial. Mesmo numa condição de superioridade estabelecida pelo ator principal, existe no filme um momento que há visivelmente um sofrimento do sujeito pela condição de ser, o que se é. Ou seja, pelo que o mesmo se tornou. A condição do outro no lugar de menos valia e que subjaz uma necessidade de um terceiro olhar, fortalece a historia de que somos um ser faltante e que estamos em busca de complementação, e essa é a mola propulsora para tornarmos dinâmicos e ativos dentro dessa grande sociedade.
Em uma relação dual, de amor e ódio, consciente ou não, agimos na perspectiva de suprir essas faltas. As relações começam a se estabelecer no aspecto de ideal, e quando relacionados ao mundo real se percebe uma dissociação, sendo assim, o individuo na tentativa de reelaborar esse sofrimento psíquico, para quê, o se dar conta, não seja tão dolorido, o mesmo, ordena e organiza defesas infinitas para manter um estado possível de sobrevivência e equilíbrio sobre sí, seja na responsabilização dos outros de forma diversas de apresentação humana em detrimento do sofrimento alheio, ou a produção do nosso próprio sofrimento.
O filme acaba metaforicamente, de forma foda, atribuindo o cheiro do ralo a uma condição de culpa que é presente em todos nós diante de atos e se tornam concientes mesmos que queiramos esconder.
A sinonímia do ralo à bunda, será trazido no filme como uma dicotomia entre o desejo erótico e o distanciamento do que lhe torna incômodo, mas que o individuo mais cedo ou mais tarde se depara, pois é uma regaste da perda, muitas vezes inexplicável e que necessita de completude diante do olhar do que nos falta em detrimento do olhar do outro.
No final, o filme coloca esse fato de forma muito surpreendente.
O filme é Extraordinário!VALE A PENA VER!
Um comentário:
Esse post não posso ler antes de assistir o filme. Farei isso HOJE e amanhã volto aqui p comentar.
Bjs e queijos com gostinho de saudadinhaaaaaaaaaaa
wavidins
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SEM CENSURA...SE JOGUE!